Tornado em Chapecó causa R$ 13 milhões em perdas à agropecuária
Levantamento preliminar aponta danos em hortas, milho, trigo, leite, aviários e reflorestamento no Oeste de Santa Catarina.
O tornado que passou por Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, na quarta-feira (4) deixou um prejuízo estimado em R$ 13,02 milhões para a agropecuária do município. O número consta de um levantamento preliminar divulgado nesta quinta-feira (5) pela Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca, feito em conjunto com a Epagri a partir de informações repassadas pelos produtores atingidos.
Horticultura concentra a maior parte do prejuízo
As hortas foram as mais afetadas, com R$ 6 milhões em danos, boa parte em estruturas de produção. A secretaria ainda não detalhou a área atingida nem a quantidade de hortaliças perdidas. Nas lavouras, o vento derrubou milho e trigo, e a produção de leite foi prejudicada pela falta de energia, que comprometeu o resfriamento nos tanques em algumas comunidades.
- Horticultura: R$ 6 milhões
- Milho: cerca de 4,1 mil toneladas perdidas, R$ 3,74 milhões
- Reflorestamento: 90 hectares danificados, R$ 1,65 milhão
- Trigo: 490 toneladas, R$ 653,3 mil
- Estruturas avícolas: cerca de R$ 500 mil
- Leite: 150 mil litros, R$ 417 mil
- Perus: 6,5 mil aves mortas, R$ 52 mil
No reflorestamento, a conta considera árvores com cerca de nove anos e perda de metade da madeira em pé. Os valores ainda podem mudar à medida que as visitas às propriedades avançarem.
Cidade em situação de emergência
Chapecó decretou situação de emergência ainda na quarta-feira, por meio do Decreto nº 52.988, que vale por 180 dias e abrange áreas urbanas e rurais. Segundo a Defesa Civil, as rajadas chegaram a 126,4 km/h, arrancando telhados, derrubando árvores e deixando bairros e comunidades sem luz. Até a publicação do decreto, 2.478 ocorrências tinham sido registradas. O aeroporto Serafim Enoss Bertaso teve estruturas danificadas e suspendeu as operações. No mesmo dia, outro tornado foi confirmado em Xanxerê, também no Oeste catarinense.
O levantamento no campo é a segunda etapa da avaliação, que até então se concentrava nos estragos na área urbana. Os números devem servir de base para dimensionar a ajuda à recuperação das atividades produtivas.
O que o produtor atingido deve fazer
Quem teve perdas deve registrar tudo com fotos, procurar a Epagri ou a secretaria municipal para entrar no levantamento oficial e guardar notas e comprovantes dos danos. O decreto de emergência é documento importante para acionar o seguro rural ou o Proagro e para pedir prorrogação de parcelas de financiamento junto ao banco. Avise o agente financeiro o quanto antes, dentro dos prazos previstos no contrato.
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Ronaldo Juares
Jornalista de A Voz do Campo. Escreve sobre clima, safra e pecuária, com foco no que muda a rotina no campo.