Soja: mercado espera relatório do USDA após semana de queda em Chicago
Contrato de janeiro caiu 3,8% na semana em Chicago. Analistas esperam safra maior nos EUA no relatório do USDA de terça-feira (10).
O produtor de soja chega a este domingo (8) com o mercado à espera do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), marcado para terça-feira (10). A expectativa de uma safra americana maior pesou nas cotações durante toda a semana passada e deixou os preços no Brasil sem fôlego, mesmo com o câmbio ajudando.
Menor patamar em mais de dois meses
Na Bolsa de Chicago, o contrato com vencimento em janeiro, o de maior liquidez, acumulou queda de 3,8% na semana. Na manhã de sexta-feira (6), o papel era negociado a US$ 11,87 por bushel, o nível mais baixo em mais de dois meses. O avanço da colheita nos Estados Unidos e a perspectiva de uma produção maior falaram mais alto do que os sinais de compra da China.
Com as cotações internacionais em baixa, os vendedores brasileiros recuaram. O ritmo de negócios diminuiu, e a atenção no campo se voltou para o plantio da safra 2026/27.
O que o mercado espera do USDA
As projeções de analistas para o relatório de novembro apontam para números maiores do lado da oferta:
- Safra de soja dos EUA 2026/27: 4,601 bilhões de bushels, ante 4,562 bilhões estimados em outubro;
- Estoques finais americanos: 336 milhões de bushels, contra 315 milhões na projeção anterior;
- Estoques finais mundiais 2026/27: 125,3 milhões de toneladas, ante 124,3 milhões;
- Estoques finais mundiais 2025/26: de 124,9 milhões para 125 milhões de toneladas.
Se os números vierem nessa direção, o mercado já terá precificado boa parte do ajuste. Uma surpresa para cima na produção, por outro lado, pode empurrar Chicago para novas mínimas.
Preço da saca nas principais praças
No mercado físico, o comportamento foi desigual entre as praças. Veja como fechou a saca de 60 quilos na semana:
- Passo Fundo (RS): de R$ 152,00 para R$ 152,50
- Cascavel (PR): estável em R$ 148,00
- Rondonópolis (MT): de R$ 141,00 para R$ 140,00
- Porto de Paranaguá (PR): estável em R$ 159,00
O câmbio favorável ajudou a segurar parte das referências internas, mas não foi suficiente para compensar a pressão vinda de Chicago, e o produtor preferiu ficar fora das vendas.
O que observar: a terça-feira (10) tende a ser de volatilidade. Quem tem soja da safra velha para vender ou pensa em travar parte da nova pode esperar o relatório antes de fechar negócio e acompanhar, junto com Chicago, o comportamento do dólar, que tem sido o principal amortecedor dos preços internos.
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Letícia Oliveira
Jornalista de A Voz do Campo. Acompanha grãos, hortifrúti e o dia a dia do produtor rural em todas as editorias.