Fertilizantes: importação acelera no fim de outubro e supera 2025
Brasil importou 4,26 milhões de toneladas de adubos em outubro, segundo a Secex. Média diária ficou 2,7% acima de outubro de 2025.
Depois de dois meses de compras fracas, as importações brasileiras de fertilizantes ganharam velocidade nos últimos dias de outubro e fecharam o mês acima do registrado um ano antes. Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados nesta sexta-feira (6), mostram que o país trouxe de fora cerca de 4,26 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos nos 20 dias úteis do mês.
Virada nos últimos dias do mês
A média diária de entrada ficou perto de 213,1 mil toneladas, 2,7% acima da média de outubro de 2025. O resultado positivo foi construído no fim do mês. Até a quarta semana, com 16 dias úteis contabilizados, a média estava em torno de 186,2 mil toneladas por dia e ainda aparecia 10,3% abaixo da do ano anterior. O volume desembarcado nos últimos dias foi grande o bastante para inverter a comparação.
Na comparação com setembro, o salto é ainda maior. Naquele mês, a média diária havia terminado em cerca de 147,9 mil toneladas, 24,5% abaixo de setembro de 2025. Em outubro, o ritmo foi aproximadamente 44% superior ao do mês anterior.
Ano ainda acumula queda forte
A recuperação de outubro não apaga o recuo do ano. De janeiro a setembro, as compras externas somaram 5,26 milhões de toneladas a menos do que no mesmo intervalo de 2025. Levantamento da consultoria StoneX mostra que, até setembro, a queda atingiu vários produtos:
- MAP: -15%
- Superfosfato simples (SSP): -24%
- Ureia: -21%
- Nitrato de amônio: -32%
- Sulfato de amônio: -18,5%
Ainda não dá para dizer se outubro marca uma mudança de rumo ou apenas a reposição de compras que tinham ficado para trás. Os próximos meses vão mostrar se o ritmo se sustenta.
Entrada no porto não é aplicação na lavoura
Os dados da Secex medem o que entra no país, e não o que vai efetivamente para o campo. A decisão de aplicar mais ou menos adubo depende de fatores agronômicos, da relação de troca com o grão, do estágio de compra de cada cultura e da situação de cada região. Por isso, o aumento das importações em outubro não deve ser lido automaticamente como sinal de maior uso de fertilizantes na safra.
O que observar: para quem ainda não fechou a compra de adubo para a segunda safra ou para as culturas de inverno de 2027, vale acompanhar os dados semanais da Secex de novembro. Um ritmo forte de chegada aos portos tende a ampliar a oferta interna e pode abrir espaço para negociar preço e prazo com revendas e cooperativas.
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Raquel Simões
Jornalista e editora de A Voz do Campo. Responsável pelas matérias do portal, cobre crédito rural, política agrícola e mercado.