Eco Invest: Itaú BBA libera R$ 205 milhões para pecuária sustentável
Três operações do Eco Invest II financiam recuperação de pastagens, ILP e rastreabilidade individual de bovinos.
O Itaú BBA informou nesta quinta-feira (5) que estruturou e financiou três operações de pecuária que somam R$ 205 milhões dentro do segundo leilão do Eco Invest Brasil, programa do governo federal que busca atrair recursos para a transição a uma economia de baixo carbono. O dinheiro vai para recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária (ILP), intensificação da produção e rastreabilidade individual do rebanho.
Para onde vai o dinheiro
As três operações têm perfis diferentes:
- R$ 70 milhões para a Campanelli: recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária, formação de lavouras e cobertura vegetal;
- R$ 65 milhões para um projeto em Mato Grosso, no bioma Amazônia: intensificação da pecuária com recuperação de pastos, ILP, sementes, insumos e infraestrutura de manejo;
- R$ 70 milhões para outro projeto em Mato Grosso, no Cerrado: recuperação de pastagens, mecanização, insumos, uso de composto orgânico, compra de animais e certificações.
Todos os projetos incluem a medição das emissões de gases de efeito estufa e a implantação de rastreabilidade individual dos animais.
Mais boi por hectare, sem abrir área
O principal objetivo é aumentar a produtividade sem expandir a área ocupada. Na Campanelli, a meta é passar a capacidade de suporte de 2 para 5 unidades animais por hectare (UA/ha) e trabalhar com cerca de 2 mil cabeças por ano na recria, com ganho médio de sete arrobas por animal. No projeto do bioma amazônico, a meta é chegar a 10 UA/ha. Já a operação no Cerrado trabalha com índice projetado de 2,5 UA/ha.
Segundo o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes, as operações mostram que sustentabilidade e produtividade podem andar juntas quando há capacidade técnica e alinhamento na cadeia. Para Victor Campanelli, CEO da Campanelli, tão importante quanto adotar as práticas é acompanhar os resultados ao longo do tempo para melhorar a gestão das fazendas.
Rastreabilidade é exigência do programa
A identificação eletrônica de cada animal é requisito obrigatório para as operações apoiadas pelo Eco Invest II. Com ela, os produtores passam a monitorar desempenho, ganho de peso, histórico sanitário e movimentação do rebanho. Além de dar mais transparência, a ferramenta prepara as propriedades para o avanço da agenda de rastreabilidade na pecuária brasileira.
O que observar: linhas ligadas a programas de baixo carbono costumam exigir projeto técnico, metas de produtividade e controle individual do rebanho. Quem pensa em buscar esse tipo de recurso para reformar pastos ou integrar lavoura e pecuária deve começar organizando os dados da fazenda e conversando com o gerente de agronegócio do banco antes de buscar o financiamento.
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Raquel Simões
Jornalista e editora de A Voz do Campo. Responsável pelas matérias do portal, cobre crédito rural, política agrícola e mercado.