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Boi gordo

Boi gordo: quilo da carcaça já compra 3,17 kg de frango no atacado

Relação entre carne bovina e frango em SP é a maior desde setembro, puxada pela arroba firme e pelo recuo da ave após Newcastle.


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Boi gordo: quilo da carcaça já compra 3,17 kg de frango no atacado
Foto: Notícias Agrícolas

A carne bovina ficou ainda mais cara em relação ao frango no atacado de São Paulo. Em 29 de outubro, o quilo da carcaça bovina era suficiente para comprar 3,17 quilos de frango resfriado, a relação mais alta desde 3 de setembro. O cálculo, divulgado nesta quarta-feira (4), foi feito pela Terra Investimentos a partir de preços apurados pelo Cepea.

Dez dias antes, em 19 de outubro, a mesma conta resultava em 3,05 quilos de frango. Foi justamente antes de o mercado reagir à confirmação de focos da doença de Newcastle em Santa Catarina.

Boi em alta, frango em baixa

O movimento tem duas pontas. A carcaça casada bovina, referência do atacado da Grande São Paulo, foi de R$ 25,95 para R$ 26,19 por quilo entre 19 e 29 de outubro, alta de 0,9% e recorde nominal, segundo o levantamento. No mesmo intervalo, o frango resfriado caiu de R$ 8,51 para R$ 8,26 o quilo, recuo de 2,9%. O resultado foi um aumento de 4% na relação entre as duas carnes.

  • Carcaça bovina: R$ 25,95/kg (19/10) para R$ 26,19/kg (29/10), +0,9%
  • Frango resfriado: R$ 8,51/kg para R$ 8,26/kg, -2,9%
  • Frango por quilo de carcaça bovina: 3,05 kg para 3,17 kg, +4%

Em um ano, a diferença ficou bem maior. Desde 29 de outubro de 2025, a carcaça bovina subiu 19%, enquanto o frango avançou apenas 2,2%. Há um ano, o quilo do boi equivalia a 2,72 quilos de frango. A média histórica calculada pela Terra desde 2016 é de 2,68 quilos. Na parcial de outubro, até o dia 29, a relação média ficou em 3,06 quilos, contra 3,04 em setembro, o que deixava o mês a caminho de ser o 12º seguido acima da média.

A comparação considera apenas preços de atacado. No supermercado, cortes, processamento, distribuição e margens do varejo fazem a proporção mudar.

Arroba firme sustenta a carcaça

O estudo associa a firmeza da carne ao avanço do boi gordo. Em 30 de outubro, o indicador do Cepea marcava R$ 389,90 por arroba, com valorização de 7% no mês. Com a matéria-prima mais cara, os frigoríficos tentam repassar o custo para a carne, mas o espaço para isso depende de quanto o consumidor está disposto a pagar.

Para o pecuarista, a arroba alta é boa notícia na hora da venda. O risco está no outro lado da balança: se a carne bovina perder espaço para uma proteína bem mais barata, a indústria pode ter dificuldade para sustentar novos reajustes.

Newcastle pesa sobre a avicultura

A avicultura atravessa um momento de cautela. Um terceiro foco de Newcastle, em uma granja comercial de perus em Nova Erechim (SC), foi confirmado em 28 de outubro, dentro da área de emergência já delimitada, e um quarto foco no mesmo município foi confirmado nesta quarta-feira. Desde 30 de outubro, o México restringe compras de frango apenas de Santa Catarina, medida semelhante à adotada por China, Chile e Arábia Saudita.

A preocupação do setor é que, com menos embarques, sobre mais frango no mercado interno, o que pressionaria os preços. O próprio levantamento pondera que a queda de 2,9% observada no período não pode ser atribuída apenas à doença. Como referência, o relatório lembra que, no caso de influenza aviária de maio de 2025, o frango caiu 16% em quatro semanas, sem que isso signifique repetição do quadro agora.

O que observar

O pecuarista deve acompanhar se a carne bovina continua sendo escoada no varejo com o frango relativamente barato. Escalas de abate, oferta de boiadas e ritmo das exportações de carne bovina seguem decisivos para a arroba. Do lado da ave, a duração das restrições a Santa Catarina dirá se a pressão sobre o frango vai se aprofundar ou se dissipar.

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Ronaldo Juares
SOBRE O AUTOR

Ronaldo Juares

Jornalista de A Voz do Campo. Escreve sobre clima, safra e pecuária, com foco no que muda a rotina no campo.

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