Carne bovina: China volta a liderar embarques do Brasil em outubro
Chineses compram 41,9 mil t, quase quatro vezes setembro, mas ainda 77,6% abaixo de 2025; outros destinos batem recorde.
A China voltou a ser o principal destino da carne bovina brasileira em outubro, depois de meses com compras reduzidas. A retomada, no entanto, ainda está longe dos volumes de um ano atrás. Ao mesmo tempo, as vendas para os demais mercados bateram recorde para o mês, mostrando avanço na diversificação dos embarques.
Os números constam de levantamento divulgado por Geraldo Isoldi, da Mesa Agro da Terra Investimentos, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) atualizados nesta sexta-feira (6).
Volume cai, mas preço médio bate recorde
O Brasil embarcou 195,4 mil toneladas de carne bovina in natura em outubro, com receita de US$ 1,24 bilhão. Na comparação com outubro de 2025, o volume caiu 39% e o faturamento recuou 30%. Mesmo assim, os dois resultados foram o terceiro maior para o mês na série iniciada em 1997.
O que segurou a receita foi o preço. A tonelada exportada saiu em média a US$ 6.364, valor 14,9% superior ao de um ano antes e o mais alto já registrado para outubro.
China quadruplica compras em um mês
Os embarques para a China somaram 41,9 mil toneladas, o equivalente a 21,4% do total exportado. Em setembro, o país asiático tinha recebido só 10,9 mil toneladas, ou seja, o volume quase quadruplicou de um mês para o outro. Com isso, os chineses voltaram ao primeiro lugar, à frente dos Estados Unidos, que compraram 32,6 mil toneladas.
De acordo com Isoldi, a recuperação foi puxada por cargas embarcadas no fim de outubro já direcionadas à cota chinesa de 2027. O levantamento ressalva que embarcar não é o mesmo que entrar no destino: a carga destinada à cota do próximo ano não significa que ela já tenha sido usada em outubro.
A base de comparação mostra o tamanho da mudança. Em outubro de 2025, a China recebeu 187,2 mil toneladas e respondia por cerca de 58% dos embarques brasileiros. Neste ano, a fatia ficou perto de 21%, e a queda anual nas compras chinesas é de 77,6%.
Outros destinos batem recorde
Sem contar a China, o Brasil vendeu 153,5 mil toneladas em outubro, alta de 15,2% sobre o mesmo mês de 2025 e o maior volume da série para o período. Os destaques foram:
- Estados Unidos: 32,6 mil toneladas, recorde para outubro e alta de 201,5% (a base de 2025 estava deprimida pela sobretaxa de 40% aplicada na época);
- Chile: 14,7 mil toneladas, alta de 16,1% e recorde para o mês;
- Arábia Saudita: 10,6 mil toneladas, alta de 69,5% e maior volume mensal da série para o destino.
Ainda assim, a diversificação não compensa a perda chinesa. Os 66 países que aumentaram compras sobre outubro de 2025 adicionaram 46,1 mil toneladas, o que cobre só 32% do recuo da China. Na comparação com setembro, os mercados fora da China caíram de 184,3 mil para 153,5 mil toneladas, e a União Europeia praticamente sumiu da pauta, com cerca de 500 toneladas.
O que muda para o pecuarista
O total exportado ficou perto de 195 mil toneladas pelo terceiro mês seguido; a mudança foi na composição das vendas. A volta da China melhora a perspectiva de escoamento, principalmente se os embarques para a cota de 2027 continuarem nos próximos meses, e pode sustentar a procura dos frigoríficos habilitados por gado. O efeito sobre a arroba, porém, depende também da oferta de boi pronto, das escalas de abate, do câmbio e das margens da indústria. Antes de negociar, vale acompanhar se o ritmo de embarques para a China se mantém em novembro.
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Ronaldo Juares
Jornalista de A Voz do Campo. Escreve sobre clima, safra e pecuária, com foco no que muda a rotina no campo.