Cacau: Bahia terá previsão anual de safra com dados do campo
Seagri, Ceplac, Mapa, IBGE e Embrapa definem método para estimar a safra baiana de cacau com visitas e questionários nas fazendas.
A produção de cacau da Bahia vai ganhar uma estimativa oficial de safra feita todos os anos, com informações levantadas diretamente com os produtores. A metodologia começou a ser definida na quarta-feira (4), em reunião na sede da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em Ilhéus, conduzida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura do estado (Seagri).
Números mais confiáveis para a lavoura
A iniciativa sai de um acordo de cooperação técnica entre o governo da Bahia e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), assinado em outubro, em Brasília, pelo governador Jerônimo Rodrigues e pelo ministro Carlos Fávaro. A proposta é dar mais precisão, transparência e padronização às estatísticas da cacauicultura e melhorar a formação de preço do cacau no Brasil.
De acordo com o secretário da Agricultura da Bahia, Vivaldo Gois, os novos dados vão permitir estimar o volume produzido e ampliar a base de informações para orientar decisões de cultivo, comercialização e investimento. Para o produtor, a expectativa é que os números ajudem no planejamento da propriedade e sirvam de base para crédito rural e seguro agrícola. O levantamento também deve apoiar políticas públicas para o setor.
Como será feita a coleta
No encontro, as equipes alinharam os modelos estatísticos de projeção e criaram grupos de trabalho para o levantamento. Também foi desenhada a operação de campo, com cronograma, mapeamento das regiões produtoras e divisão de tarefas entre as instituições, além da definição de como, onde e por quem as informações serão coletadas.
Uma das frentes será a visita às fazendas, com aplicação de questionários. Segundo o diretor-presidente da Ceplac, Thiago Guedes, técnicos vão percorrer as propriedades para fazer a coleta presencial e garantir dados próximos da realidade de cada região. Em pesquisas desse tipo, as perguntas costumam tratar de área plantada, área colhida e quantidade produzida.
Quem participa
Além da Seagri e da Ceplac, estiveram na reunião o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Embrapa, a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), a Bahiater, a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), a Casa Civil do estado e universidades.
Dica para o produtor: quando o técnico chegar à propriedade, ter em mãos a área plantada, a área em produção e o volume colhido nas últimas safras facilita a entrevista e melhora a qualidade da estimativa. Números mais fiéis ajudam na hora de negociar o cacau e de comprovar produção para crédito e seguro.
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Joaquim de Sá
Jornalista de A Voz do Campo, responsável por matérias gerais, pesquisa agropecuária e tecnologia no campo.